O que é oxigenioterapia hiperbárica?

A oxigenioterapia hiperbárica (OHB) é uma  técnica de tratamento em que o paciente é colocado em uma câmara pressurizada e respira oxigênio a 100%, em pressões superiores a uma atmosfera absoluta (1 ATA) Na verdade consiste no moderno uso de antiga tecnologia. A aplicação de ar pressurizado para o tratamento de certas doenças respiratórias data de antes de 1662. O uso de oxigênio medicinal foi pela primeira vez relatado em 1794 por Beddoes, enquanto que o primeiro artigo descrito com o emprego de oxigênio hiperbárico foi Fontaine em 1879. Na década de 1930 foram realizados estudos pela marinha americana e inglesa visando o tratamento da doença descompressiva em mergulhadores. No Brasil trabalhos pioneiros foram desenvolvidos no Hospital Gaffré-Guinle, no  Rio de Janeiro, no período de 1930 a 1940 por cientistas brasileiros.
Mas foi a partir de 1960 quando Boerema e Brummelkaup, na Holanda, trataram o primeiro paciente portador de infecção por anaeróbios com oxigênio hiperbárico em 3 ATA e Smith, na Escócia, tratou o primeiro paciente com intoxicação pelo monóxido de carbono e a partir daí numerosos estudos têm sido publicados. No Brasil o emprego do oxigênio hiperbárico reiniciou com o Dr.Ivan Jorge Ribeiro por volta de 1972.
Foi a partir de 1995 que a Oxigenioterapia Hiperbárica foi reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina através da Resolução nº1457/95.
O tratamento com OHB pode ser realizado em câmaras pequenas tipo monoplace, pressurizadas com oxigênio puro, ou grandes câmaras hiperbáricas, com 2 ou mais compartimentos, pressurizados com ar comprimido, onde o paciente recebe oxigênio puro por máscara oronasal, tenda cefálica ou tubo endotraqueal.
A inalação de oxigênio a 100% em 1 atmosfera, ou aplicação tópica de oxigênio a partes do corpo, sem o uso de pressurização sobre toda a superfície corporal do paciente, não são consideradas oxigenioterapia hiperbárica.
O tratamento pode ser realizado com o paciente sentado ou deitado. Quando inicia-se a pressurização, a entrada de ar origina algum ruído e a sensação experimentada pelo paciente durante a compressão é de “ouvidos cheios”. Neste momento o paciente deve equilibrar as pressões no ouvido (engolir em seco, movimentar as mandíbulas lateralmente ou realizar a manobra de Valsalva). Há um  aumento da temperatura interna da câmara, devido ao carácter adiabático da compressão. À medida que a pressão aumenta nenhuma outra mudança é observada  até que se atinja a pressão desejada (2,4 a 3,0 ATA). A partir daí o pacientes coloca a máscara oronasal e passa a inalar o oxigênio pelo tempo prescrito de 90 a 120 minutos. Terminado esse período inicia-se a descompressão, quando ocorre um leve resfriamento devido a expansão do ar. Os ouvidos geralmente não apresentam qualquer problema durante a descompressão. Durante a  permanência sob pressão não há qualquer outra sensação diferente e em nenhum momento se é capaz de discernir em que pressão se está, a não ser pela alteração da voz. Mesmo pacientes em mal estado geral costumam tolerar bem a compressão e a descompressão.

Mecanismos de Ação da OHB.

O oxigênio hiperbárico é usado para o tratamento de condições em que a isquemia, edema, formação de bolhas, intoxicação tecidual ou agentes infecciosos interfiram com a sobrevida, função ou cicatrização dos tecidos. Seus efeitos são obtidos através de cinco mecanismos principais de ação:
  • Hiperoxigenação: O oxigênio é transportado pelo sangue de duas formas: quimicamente ligado à hemoglobina e fisicamente dissolvido no plasma. Com a OHB há uma saturação completa da hemoglobina e aumento considerável do oxigênio dissolvido no plasma.
  • Vasoconstrição: O aumento de pO2 arterial leva à vasoconstrição generalizada. Este efeito pode ser benéfico no tratamento de patologias em que o edema seja o principal problema. Embora possamos pensar nesta isquemia, devemos levar em consideração que a  hiperoxigenação obtida suplanta a isquemia causada pela vasoconstrição.
  • Redução no tamanho das bolhas: Está diretamente relacionada ao aumento da pressão ambiental de acordo com a Lei de Boyle. Além disso, através do mecanismo de contradifusão o oxigênio substitui o gás inerte presente na bolha, provocando assim a sua reabsorção pelos líquidos orgânicos.
  • Neovascularização: A OHB acelera a neovascularização através da elevação intermitente da pO2 arterial, resultando no aumento da proliferação celular.
  • Efeito Antimicrobiano: A OHB é bactericida, exercendo efeito inibitório no crescimento e produção de toxinas na maioria de anaeróbios e de aeróbios microaerófilos. O suprimento de oxigênio para uma área de invasão bacteriana é essencial para a efetiva ação dos leucócitos(fagocitose). Sendo assim, a OHB favorece a atuação dos leucócitos em meios isquêmicos e/ou hipóxicos.
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